quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Simbolismo - Portugal /Brasil

Simbolismo
- reação contra o espírito materialista e objetivo do Realismo/Naturalismo/Parnasianismo
- começou na França, onde se sobressaíram Baudelaire, Veraline, Rimbaud e Mallarmé (fins do séc.XIX)
- apesar de opor-se tematicamente ao Parnasianismo, na forma há semelhança entre os dois movimentos.
-no Brasil, o inicio é com “Broqueis (poesia) e Missal(poemas em prosa) de Cruz e Souza em 1893.
- decadentismo foi o primeiro nome do Simbolismo
- Nefelitaba é outra denominação do poeta simbolista
- a designação Simbolismo se deve à intenção principal de evocar a realidade, traduzindo-a em forma de símbolos e não descrevendo-a detalhadamente.

Temas mais frequentes:os mistérios do mundo/ o fascínio da morte e do desconhecido/ os contrastes entre o real e o irreal/ o dualismo humano(matéria/espírito)

Caracteristicas

- tentativa de sugerir, por meio de uma linguagem evocadora, plena de elementos sensorias (cores, sons, perfumes)
- subjetividade e fantasias
- concepção mística da vida
- ênfase ao místico e ao subconsciente
- valoriza-se a intuição
- musicalização nos versos
- dondagem do mundo interior
- busca de correspondência entre o concreto e o abstrato; entre as diferentes esferas dos sentimentos
- alguns traços do Simbolismo prenunciam o Modernismo

Simbolismo em Portugal(1890/1915)

1890 – publicação do livro de poemas Oaristos, de Eugênio de Castro.(Oaristo significa “colóqui terno, diálogo amoroso)
1915 – início do Modernismo, com o lançamento da revista Orpheu
A poesia simbolista tem relação com a recuperação de alguns valores não-materiais retomados na Europa após a década de 1870.
Em Portugal registrou-se pelo menos um grande momento de crise de natureza econômica nos anos 90 e 91, assinalando o descrédito do povo em relação à monarquia. É nessa conjuntura que surge o grupo de escritores conhecido como “Os vencidos da vida”, denominação que revela o espírito depressivo que se viveu na época .

Principais Autores e Obras

Eugênio de Castro(1869/4419) – nasceu em Coimba, formado em letras, viveu algum tempo em Paris onde teve contato com o Simbolismo francês.
Obras:Cristalização da morte(1884)/ Horas tristes(1888), Oaristos(1890), Últimos versos(1938), entre outras. Escreveu ainda peças teatrais.

Antônio Nobre(1867/1900) – Nasceu no Porto, cursou direito em Coimbra não chegando a se formar, foi para Paris, onde frequentou cursos livres. Morreu de tuberculose em 1900.
Obras: Sò(1892)/ Despedidas(1902)/ Primeiros versos(1921). Observe que as duas últimas foram publicadas postumamente. Sua obra revela fortes traços românticos, quer pelo seu pessimismo, quer pela sua subjetividade, quer pelo nacionalismo. Seu traço Simbolista mais marcante está presente no misticismo religioso.

Camilo Pessanha(1867/1926)- nasceu em Coimbra, formou-se em direito e exerceu a advocacia e magistério em Macau. De saúde muito frágil, estado agravado pelo consumo do ópio, morreu de tuberculose em 1926.
Obras: Clepsidra(1920) (relógio de água). Deixou ainda contos, crônicas, ensaios e poemas dispersos em jornais e revistas.
A musicalidade e o poder de sugestão são traços simbolistas de sua obra, considerada a mais representativa do Simbolismo português. Para ele, as inovações da linguagem simbolista serviram como veículo para uma poesia que se desliga da subjetividade, do individual, para questionar grandes problemas universais, como o fluir do tempo, a brevidade da vida, a inutilidade de existir, tudo isso conduzindo ao pessimismo que marca sua visão de mundo.

Simbolismo no Brasil(1893/1902)

1893- publicação de Missal(coletânea de poemas em prosa) e Broquéis( poemas) , de Cruz e Sousa.
1902 – publicação de Os Sertões , de Euclides da Cunha

Principais autores e obras

Cruz e Sousa (1861/1898) – nasceu em Florianópolis, filho de escravos alforriados, recebeu uma educação escolar primorosa, pois tornou-se protegido dos antigos proprietários de seus pais. Chegou no Rio de Janeiro em 1890, promórdios da República, onde se fixaria para sempre. Foi lá que começou no jornalistmoe logo na vida literária. Conhecei Gavita, com quem se casaria. A mulher enlouqueceu em 1896, sendo cuidada pelo próprio poeta, em casa. Vários poemas de Cruz e Souza têm a loucura como tema. Quando morreu, de tuberculose, tinha 37 anos e era funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil.

Obras:
Poesia; Broquéis(1893)/ Faróis(1900)/ Últimos sonetos(1905)
Prosa poética: Tropos e fnafarras(1885) – em conjunto com Vírgilio Várzea? Missal(1893)/
Evocações (1898)
É o mais importante escritor simbolista da literatura brasileira. A partir de sua vivência individual - em que teve de superar obstáculos derivados do preconceito de cor – focaliza o drama da condição humana. Tanto na poesia como na prosa poética do autor centram-se na sugestão de elementos místicos, vagos, sombrios, nebulosos da realidade. À medida que sua obra vai-se tornando mais madura, o poeta abandona o plano material, preocupando-se com uma poesia de caráter metafísico, ligada, pois, a coisas do espírito.

Alphonsus de Guimaraens (1870/1921) – nasceu em Ouro Preto(MG). Seu nome verdadeiro: Afonso Henrique da Costa Guimarães. Ingressou na Escola de Minas, com objetivo de estudar engenharia. Nessa época morreu-lhe a noiva Constança, filha de Bernardo Guimarães – perda de que o poeta parece nunca ter-se recuperado. Veio para São Paulo, onde iniciou o curso de direito que concluiria em Minas. Em 1906 foi nomeado juiz na cidade de Mariana(MG). Lá ele casou, teve quinze filhos, e permaneceu até sua morte.

Obras:

Poesia: Setenário das dores de Nossa Senhora/ Câmara ardente/ Dona Mística (todos de 1899)/ Kyriale(1902)

Prosa: Mendigos(1920)
Sua obra apresenta muitos elementos retomados do Romantismo, como o amor espiritualizado, a evasão, a religiosidade e a morte. Amor e morte, em resumo, são os dois polos de sua preocupação como escritor. Em sua poesia de caráter místico e religioso não há, como na de Cruz e Sousa, lugar para o erostsmo – a mulher é divinizada, comparada à Virgem Maria. A morte da noiva é um motivo sempre retomado em sua poesia.
Escreveu poemas de humor fino e requintado. Essa é uma parte pouco conhecida de sua obra, visto que não a publicou em volume.

Pedro Kilkerry(1885/1917) – é o pseudônimo de Pedro Militão Kuikuery, nascido em Salvador, Bahia. O pai era descendente de irlandese, e a mãe, baiana. “Boêmio, pobre e, por fim, doente, viveu por muito tempo, num modeswto quarto à rua do Cabeça, em Salvador, onde se entregava à verdaeira febre de saber, lendo, entre outros, Homero, Dante, Shakespeare.” Formou-se na Faculdade de Dieito da Bahia e morreu aos 32 anos em Salvador.

Obra:
Não teve obra editada. Alguns de seus poemas foram publicados em jornais e revistas da época. Tinha seus poemas de memória e quando os escrevia, era ora nas paredes, ora em trapos de papel ou páginas de livros.A poesia de Kilkerry é condensada, sintética, sem repetições, com metáforas audaciosas. Nesse aspecto, ele supera os preceitos simbolistas e antecipa nosso Modernismo.



















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